XV Congresso Brasileiro de Cirurgia Oncológica

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Dados do Trabalho


Título

Gastrectomia robótica versus aberta no câncer gástrico: resultados de curto prazo de estudo randomizado

Introdução

A primeira gastrectomia assistida com robô data de 2002. Desde então, alguns autores, especialmente da Ásia, demonstraram que o método é seguro e oncológico, porém há grande carência de dados de alta qualidade. O único estudo randomizado disponível em câncer gástrico (CaG) comparou a gastrectomia subtotal robótica com a laparoscópica. Eram pacientes orientais com índice de massa corporal (IMC) mais baixo e tumores mais iniciais que os do ocidente.
Assim, há grande interesse em saber se o método pode ser utilizado na rotina, principalmente do ocidente.

Objetivo

Comparar os resultados em curto prazo da gastrectomia com linfadenectomia D2 pelas vias robótica e aberta.

Método

Este é um ensaio clínico aberto, realizado em uma única instituição. Pacientes com CaG candidatos a gastrectomia com linfadenectomia D2 foram randomizados (alocação 1:1) para receber tratamento cirúrgico pela via robótica (GR) ou aberta (GA). A plataforma Da Vinci Si foi utilizada. O período foi dezembro de 2014 a fevereiro de 2021. Critérios de inclusão foram: adenocarcinoma gástrico estágio cT2-4 cN0-1, cirurgia com intuito curativo, idade 18-80 anos, performance ECOG 0-1. Critérios de exclusão foram: cirurgia de urgência, cirurgia gástrica prévia, cirurgia abdominal maior prévia. Todos assinaram termo de consentimento informado e o estudo está registrado no clinicaltrials.gov (NCT02292914).
O desfecho primário foi sangramento operatório e a hipótese foi redução deste em 50% com a GR. A partir da média de sangramento na cirurgia aberta de 250ml, com erro tipo I de 0,05 e poder de 90%, a amostra foi calculada em 30 pacientes para cada grupo.

Resultados

De 65 pacientes randomizados, 5 foram excluídos (3 paliativos, 1 com obstrução e necessidade de cirurgia de urgência e 1 por falta de material), restando 31 pacientes no braço aberto e 29 no robótico. Os grupos foram similares (idade, sexo, IMC, comorbidades, ASA e número de gastrectomias totais). A GR teve média linfonodal similar (41 vs 42), tempo cirúrgico maior (358 vs 214 min, p<0,001) e menor sangramento (123 vs 276 ml, p<0,001). Foram estatisticamente equivalentes as complicações pós-operatórias maiores (9,7 e 6,9%; GA e GR), a duração da internação (8,9 e 9,1) e as readmissões em 30 dias (4 GA e 1 GR, p = 0,355).

Conclusão

A GR reduz em mais de 50% o sangramento operatório. Os resultados em curto prazo são similares aos da GA. Uma amostra maior é necessária para confirmar que a GR se relaciona com menos complicações pós-operatórias e menos readmissões em 30 dias.

Palavras-chave

câncer gástrico, cirurgia robótica, Da Vinci, randomizado, ensaio clínico

Área

Trato gastrointestinal alto*

Autores

ULYSSES RIBEIRO JR, ANDRE RONCON DIAS, MARCUS KODAMA RAMOS, RODRIGO JOSE OLIVEIRA, OSMAR KENJI YAGI, RICARDO ZUGAIB ABDALLA, MARINA ALESSANDRA PEREIRA, SERGIO CARLOS NAHAS, BRUNO ZILBERSTEIN, IVAN CECCONELLO