XV Congresso Brasileiro de Cirurgia Oncológica

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Dados do Trabalho


Título

HEMIPELVECTOMIA : É um procedimento ainda realizado nos tempos de hoje?

Apresentação do caso

Caso 1
Mulher, 48 anos, com lesão extensa úlcero infiltrativa de 15x12 cm, em região lombar e glútea direita, biópsia de carcinoma espinocelular (CEC). Submetida a exérese de tumor de glúteo direito com reconstrução e retalho e enxerto de pele. Devido à pandemia, evoluiu 6 meses após com linfonodo ulcerado, fixo em região inguinal direita, biópsia para CEC. Optado por tratamento com radioterapia e quimioterapia. Paciente retornou 2 meses após com lesão ulcerada extensa inguinal, com comprometimento de vasos femorais, crista ilíaca e púbis. Submetida a hemipelvectomia convencional e reconstrução com retalho muscular. Em acompanhamento ambulatorial sem sinais de doença.

Caso 2
Mulher 73 anos, encaminhada com lesão no triângulo femoral esquerdo, de 2,5x2,0 cm, endurecido e fixo a planos profundos, limitando-se superiormente, a nível do ligamento inguinal esquerdo e, medialmente, a 3 cm da linha média, no monte de vênus. Exame de imagem demonstrou tumoração acometendo músculo pectíneo, comprometendo parte do púbis e ramo íleo-púbico, sem comprometimento vásculo-nervoso. Biopsia incisional de lesão mesenquimal de baixo grau. Demais exames de estadiamento inalterados. Submetida a hemipelvectomia esquerda tipo III, com retirada do músculo pectíneo, ramos superior e inferior do púbis, ísquio até a tuberosidade isquiática. Anatomopatológico: mixofibrosarcoma de baixo grau, 1.8 cm, margens livres, estadiamento pT1pN0M0.

Discussão

Hemipelvectomia é usualmente indicada no tratamento de sarcomas ósseos em coxa e quadril. A técnica convencional foi por anos o único tratamento disponível. Com o tratamento neoadjuvante, hemipelvectomias internas parciais, preservando o membro, se tornaram procedimentos comuns. Em relação aos sarcomas que mais acometem essa região temos os condrossarcomas, nos adultos. O mixofibrosarcoma é mais frequente em membros inferiores e dificilmente infiltra a cintura pélvica. Principais complicações são: sangramento, isquemia de retalho e trombose venosa. Fator prognóstico mais importante é status da margem cirúrgica. Acometimento por lesões metastáticas linfonodais em câncer de pele é raro, sendo mais frequentes em lesões de alto risco, como a úlcera de Marjolin.

Comentários Finais

Hemipelvectomia é um procedimento mórbido e desafiador, porém pode oferecer chance de cura. Avaliação cuidadosa deve ser feita no planejamento pré-operatório por equipe multidisciplinar. Apoio psicológico e a reabilitação são etapas importantes que afetarão o modo de vida e imagem corporal.





Palavras Chave

hemipelvectomia; sarcoma; ulcera marjolin

Área

Tumores De Partes Moles e Retroperitônio

Autores

CAROLINA BRANDI ANZANELLO, BERNARDO FONTEL POMPEU, LUIS FERNANDO PAES LEME