XV Congresso Brasileiro de Cirurgia Oncológica

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Dados do Trabalho


Título

CARCINOMA DE CÉLULAS ESCAMOSAS PRIMÁRIO DE VAGINA: UM RELATO DE CASO

Apresentação do caso

Mulher, 54 anos, encaminhada à Oncologia em 2020 após biópsia positiva para neoplasia vaginal. Referia sinusorragia há dois anos, negava dispareunia. G3P3A0. Sem antecedentes oncológicos, porém mãe com câncer de mama. Ao toque vaginal, lesão irregular em parede posterior da vagina, invadindo colo uterino, sem plano de clivagem, com sangramento ativo. Toque retal, abaulamento em parede anterior, mucosa íntegra sem invasão ou sinais de fístula. À histeroscopia, massa sólida irregular na parede vaginal, vascularização atípica em fórnice vaginal, posterior e lateral esquerdo. Marcadores tumorais sem alterações. Citologia oncótica: lesão intra-epitelial escamosa de alto grau e anatomopatológico, carcinoma de células escamosas (CCE). Exames de estadiamento, lesão infiltrativa na parede posterior da vagina e no colo uterino, medindo cerca de 5 cm e processo expansivo nas paredes laterais e posterior da vagina, infiltrando gordura adjacente à parede póstero-lateral esquerda vaginal e em contato com pequena área da parede anterior retal. Estadiamento clínico IV (T2N0Mx). Quimiorradioterapia exclusiva, sem recorrência. RMN pélvica de seguimento sem evidência de lesão residual ou recidiva local. Ao exame especular, colo uterino visível e vagina livre de lesões suspeitas.

Discussão

O câncer primário de vagina origina-se sempre nesse órgão e corresponde a 1-2% dos cânceres ginecológicos. CCE é o tipo histológico mais comum. Pico de incidência entre 50 e 70 anos. Em geral, sinais e sintomas relacionados à localização do tumor, sendo comum sangramento vaginal. Apesar da radioterapia ser o tratamento de escolha para maioria dos cânceres de vagina, não existe consenso. O caso retrata paciente de meia idade com sinusiorragia recorrente há dois anos. Suspeita clínica no exame físico confirmada por anatomopatológico. Realizaram-se 25 sessões de radio e 6 ciclos de quimioterapia, com desfecho favorável e prognóstico otimista. Na atualidade, assistida pela Oncologia Clínica, sem recidivas.

Comentários Finais

O câncer de vagina corresponde a 1% dos cânceres ginecológicos nos EUA. É comumente oriundo de metástase ou extensão local a partir de estruturas adjacentes. A paciente descrita apresentava CCE vaginal primário, estádio IV, prognóstico de sobrevida em 5 anos de 0 a 40%. Abordagem quimiorradioterápica exclusiva. Atualmente, vagina e colo uterino livres de lesões acetobrancas, sem evidência macroscópica de lesão residual ou recidiva local.

Palavras-chave

Hemorragia uterina; Neoplasias Vaginais; Carcinoma de Células Escamosas

Área

Oncoginecologia*

Autores

GUSTAVO TORRES LOPES SANTOS, GABRIELA MARTINS SILVA, LARISSA CÂMARA NASCIMENTO DE MELO, MARIA DO PERPÉTUO SOCORRO NOBRE M SILVA, HELOÍSA LOPES DE SOUZA RIBEIRO, LAURA CRISTINA COSTA E SILVA, GABRIELA BENETTI DE GRANDE SANTOS, BEATRIZ ANDRADE BRANDÃO, FRANCIMAR KÉTSIA SERRA ARAÚJO, JOSÉ TÓVENIS FERNANDES JÚNIOR