XV Congresso Brasileiro de Cirurgia Oncológica

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Dados do Trabalho


Título

Tumor Neuroendócrino Primário de Fígado: Um relato de caso

Apresentação do caso

O fígado pode ser sítio de metástases de tumores neuroendócrinos, mas raramente alberga tumores primários 1,2,3.
Relatamos aqui caso de mulher, 69 anos, que iniciou quadro súbito de dor em hipocôndrio direito de intensidade moderada e relato de febre. Na emergência, ultrassonografia de abdome identificou formação de aspecto sólido-cístico. Tomografia de abdome superior detectou lesão nodular hipoatenuante no lobo hepático direito em segmentos V e VI, medindo 69x82x73mm, e lesões nodulares hipoatenuantes sem realce pelo contraste nos segmentos IVA e IVB. DOTA- PET sugeriu doença restrita ao fígado, discretamente hipermetabólica, podendo corresponder a neoplasia de baixa agressividade.
Biópsia da lesão diagnosticou “neoplasia de pequenas células no fígado” e imunohistoquímica (IHQ) identificou um tumor neuroendócrino de baixo grau, com CD6 e Sinaptofisina positivos, EMA, AE1/AE3, CK7, CK8, CK20 e Cromoganina negativos, KI67 em 2%. Foi submetida à segmentectomia do VIII e hepatectomia transversa direita (IVB+V+VI) auxiliada por ultrassonografia intraoperatória. O estudo anatomopatológico constatou margens livres e confirmou a neoplasia maligna de pequenas células, primária do fígado. A paciente segue em acompanhamento ambulatorial, assintomática.

Discussão

Os tumores neuroendócrinos primários de fígado não apresentam predileção por sexo, e afetam, principalmente, indivíduos de 40 a 50 anos 1,3. A apresentação clínica mais comum inclui sintomas inespecíficos, atrasando o diagnóstico e dificultando sua identificação ainda quando considerados cirurgicamente ressecáveis 1,2,3. Na investigação, a ultrassonografia geralmente revela uma massa hiperecoica contendo múltiplas lesões císticas, e a TC pode mostrar áreas de baixa densidade e moderadamente realçadas que confirmam um padrão cístico 1,2. O diagnóstico se dá por aspiração por agulha fina percutânea ou biópsia seguida de avaliação anatomopatológica 1,2. O tratamento mais eficaz é a hepatectomia 1,2,3. Porém, quando a ressecção não é possível, o tratamento sistêmico pode ser uma alternativa 1,2.

Comentários Finais

Carcinomas metastáticos são relativamente mais frequentes, mas tumores neuroendócrinos primários do fígado são raros1,2,3 e, portanto, devemos sempre afastar a hipótese de doença secundária. A cirurgia é o tratamento curativo e de escolha1,2,3,4.

Palavras-chave

Neoplasias Hepáticas; Tumores Neuroendócrinos; Carcinoma Hepatocelular

Área

Tumores hepatobiliopancreáticos*

Autores

ERICK VINICIUS TEIXEIRA LIMA, MARIA LUÍSA MIRELLE DUARTE DUARTE, JOANA SILVEIRA ENDRES, JÚLIA DE OLIVEIRA MACHADO, BEATRIZ CARNEIRO HABBEMA DE MAIA, BEATRIZ PIRES PAES, GRAZIELE FILOMENA RABELLO, WLADIMIR FERNANDES BEZERRA, RODRIGO NASCIMENTO PINHEIRO